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Principal Notícias Entrevista: Cláudio Maas, presidente da SZB
Entrevista: Cláudio Maas, presidente da SZB PDF Imprimir E-mail
Qua, 04 de Abril de 2018 18:20
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Brasília está sediando, de 04 a 07 de abril, o 42º Congresso da Associação* de Zoológicos e Aquários do Brasil. O tema desta edição é "Zoos e Aquários: e se formos um só? Manejo integrado pela conservação", que busca motivar a interação e maior comunicação entre os equipamentos no país. Para o presidente da entidade, o biólogo Cláudio Maas, o momento é de oportunidades para zoológicos e aquários e representa, também, a proximidade de um novo paradigma no setor: "nos próximos 15 anos o Brasil sofrerá uma mudança drástica na quantidade e qualidade de equipamentos", afirma. 

Confira a entrevista com o presidente da SZB:

Qual a importância do Congresso na difusão dos valores da Associação?
O congresso e a entidade nasceram juntos. Temos 41 anos de história e estamos no 42º congresso (em seu primeiro ano de fundação a SZB promoveu dois encontros). É uma ferramenta de qualificação técnica e de reflexão ética do segmento de zoológicos e aquários. A cada edição buscamos trazer para a comunidade a oportunidade de discutir métodos, processos e sua própria existência. Um segundo ponto é levar ao universo acadêmico a expertise de um zoológico e aquário, proporcionando aos graduandos de várias áreas o contato com profissionais e pesquisadores, que possam oferecer a eles inspiração e direcionamento profissional. E, por fim, o congresso é também um ato político, um meio para lembrar à classe política da importância desse segmento. 

De que forma o atual cenário econômico enfrentado pelo país impacta nos zoológicos e aquários?
Temos municípios e Estados enfrentando uma grave crise fiscal, com sistemas públicos de saúde, educação, habitação falidos. E é nesse contexto que os zoológicos e aquários se inserem, uma vez que a maioria dos empreendimentos no país é pública. A situação em que se encontram é um reflexo direto da Administração Pública como um todo. Em contrapartida, acredito ser esse, também, um momento oportuno para que haja uma revisão de práticas, para que as entidades possam ser mais independentes, busquem um equilíbrio fiscal e sejam economicamente viáveis. A Associação não emite parecer sobre modelos de gestão, mas preocupa-se fundamentalmente com que as instituições cumpram seus papéis de conservação, pesquisa, bem-estar animal e reconexão da população com a fauna. 


Apesar dessas importantes funções que você destacou, zoológicos e aquários ainda são alvos de muitas críticas. Por quê?
Boa parte dessas críticas não tem fundamentação técnica, é meramente ideológica e rasa. O desencontro de informações tem ocorrido, especialmente, nas redes sociais, que se tornaram um ambiente hostil e de disseminação de inverdades. Percebemos que há uma grande empatia da sociedade por espécies da fauna, o que por si só é excelente, mas esse sentimento tem sido usurpado e utilizado por ONGs que possuem uma visão torta do processo.

Qual o papel dos biólogos nos zoológicos e aquários?
Ao nosso ver o biólogo é fundamental, imprescindível e sua presença nos equipamentos é inegociável. A Lei 7.173/83, que estabelece a obrigatoriedade do biólogo para o funcionamento dos zoológicos, é um marco. Os ganhos obtidos nos últimos anos em termos de qualidade de vida dos animais, no trabalho de educação ambiental e no desenvolvimento de equipamentos mais sustentáveis são frutos diretos do trabalho dos biólogos. 

E qual o papel dos equipamentos em esforços de preservação de espécies?
Temos dois grandes exemplos: o primeiro deles é o mico-leão-dourado, que saiu de um status de criticamente ameaçado e, por meio de um programa contínuo, se tornou um exemplo para o mundo. E há o caso do mutum-de-alagoas, espécie que sofreu com uma política pública predatória de destruição da Mata Atlântica no Nordeste e que teve seus últimos indivíduos resgatados. Hoje a população é de um pouco mais de uma centena de animais e há um trabalho em curso para uma futura devolução da espécie ao seu habitat natural. 

Por fim, o que se pode falar em termos de perspectivas?
Vivemos um momento de oportunidades, de separação de bons e maus equipamentos, não apenas no aspecto estrutural, mas de função. Nos próximos 15 anos o Brasil sofrerá uma mudança drástica na quantidade e qualidade de equipamentos. A crise ambiental, que não é apenas brasileira, mas global, também nos gera possibilidades, já que estamos em um país de tão rica biodiversidade. Esperamos nos tornar exemplos para o mundo. 

*Na reunião de planejamento e assembleia da SZB, realizada na manhã do primeiro dia do Congresso, foi decidida a mudança do nome e sigla da entidade. A Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil (SZB) passa a se chamar, a partir de agora, Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (Azab).