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Conselho Regional de Biologia - 4a Região

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Principal Notícias Entrevista: Gerson Norberto, presidente do 42º Congresso da SZB
Entrevista: Gerson Norberto, presidente do 42º Congresso da SZB PDF Imprimir E-mail
Qui, 05 de Abril de 2018 01:23
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Gerson Norberto é diretor presidente da Fundação Zoológico de Brasília e presidente do 42º Congresso da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil, que está sendo realizado em Brasília. Confira nesta entrevista sua visão sobre o atual estado dos equipamentos no Brasil, suas propostas de avanço e sua opinião sobre o papel dos biólogos nesse processo. 

O tema do 42º Congresso é "Zoos e Aquários: e se formos um só? Manejo integrado pela conservação". O que motivou essa escolha?
Tradicionalmente os zoológicos adotavam uma postura de trabalhar somente com seu plantel, cada um no seu nicho. Gerir uma população, entretanto, vai muito além disso. As experiências que tivemos com o mico-leão-dourado e, mais recentemente, com o mico-leão-preto, demonstram que as instituições devem atuar em sinergia para conseguir manter um pool de animais até que estejam aptos a voltar à natureza. Por exemplo: temos somente 12 ariranhas em zoológicos e aquários no país. Para começarmos a pensar na reintrodução da espécie em seu habitat precisamos alcançar uma população mínima de 400 indivíduos. Isso é impossível de se concretizar em uma só instituição. Mas se torna possível em conjunto.

Por que existia essa postura dos equipamentos?
Isso se relaciona com o histórico de como essas instituições foram criadas. Elas sempre têm início com pequenas coleções, em gestões particulares ou de municípios, que vão tomando corpo, e é difícil romper esse formato e a ideia do "meu bicho". Temos uma diversidade enorme de modelos de gestão de zoológicos, o que dificulta o estabelecimento de parâmetros. Mas nosso papel é o de fazer esses gestores compreenderem que seus animais, isoladamente, não fazem parte da política de conservação, que sempre deve ser integrada.

 

Que outros atores devem ser envolvidos nessa integração?
Essa é outra peculiaridade desta edição do congresso: trouxemos para o debate também as iniciativas de conservação in situ, como os projetos Tatu Canastra, Tamanduá e Mico-leão-dourado. Por quê? Vivemos um cenário de falta de recursos, de equipes, de estrutura, então a forma mais sensata de atuação é a colaborativa. Nossa ampulheta não para e os processos de devastação ambiental e de extermínio de espécies seguem em ritmo acelerado. Por isso, de nada adianta a integração exclusiva dos zoológicos, se não envolvermos os trabalhos de campo e, principalmente, se não sensibilizarmos a sociedade. Precisamos conscientizar as pessoas para que elas consigam estabelecer a relação que existe entre a perda de biodiversidade e a falta de água ou o aumento no preço dos alimentos. 

Como mudar a opinião daqueles que acreditam que zoológicos promovem apenas o aprisionamento de animais?
Entendo que essa deficiência é nossa. Se o cidadão visita um local em que ele percebe a falta de tratamento da água ou um animal confinado em um espaço exíguo, que mensagem isso passa? No Brasil temos uma deficiência arquitetônica em relação aos equipamentos de mais de 70 anos. Muitas instituições cumprem as exigências da legislação, mas isso não significa, necessariamente, recintos de qualidade para os animais. Temos bons zoológicos no Brasil com alguns recintos de excelência, mas não há uma única instituição no país 100%. É importante ressaltar, entretanto, que somos a última barreira contra processos de extinção de várias espécies. 

De que forma os congressos da Azab têm contribuído para melhorar esse panorama?
Buscamos uma melhoria contínua e isso se reflete nos congressos. Os temas dos últimos anos são bem conexos, complementando uns aos outros. Além disso, quando buscamos os palestrantes de nossos encontros, não vamos atrás de renome, mas de profissionais com experiência na preservação de biomas e conservação de espécies. Somado a tudo isso, estamos lançando, também, uma certificação internacional de bem-estar animal para os atuais e novos associados da Azab. O Brasil será o segundo país do mundo a implementar algo do tipo, com diversos critérios de melhorias nos equipamentos. 

E o papel dos biólogos em todo esse contexto?
O biólogo é um profissional extremamente relevante nesse processo, desde a pesquisa, educação, manejo, estudo de comportamento etc. Mas é necessário ressaltar que foi-se o tempo de dominar apenas o be-a-bá para cumprir o básico. As demandas são por profissionais com conhecimento cada vez mais aprofundado. No Zoo de Brasília, por exemplo, antes da chegada da frente fria realizamos estudos com as aves para saber quais necessitam de um aprimoramento da dieta para conseguir suportar a queda na temperatura. E o conhecimento biológico está dentro de todo esse contexto de forma essencial.