Conselho Regional de Biologia 4ª Região
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Mulheres que inspiram: trajetórias que abrem caminhos na Ciência

Por Felipe Morais e Vitor Moreira

Qual o poder do exemplo? O quanto uma trajetória pode inspirar a construção de outras histórias? Que papel mulheres que se destacam em seu campo de atuação têm na formação de novas gerações? “Fui a primeira pessoa do meu núcleo familiar a cursar uma universidade pública. E quem me abriu os olhos de que isso era possível foi uma professora que tive no ensino fundamental, a Ana Cristina. Devo isso a ela”, relata a bióloga Érika Ramos de Alvarenga.

Neste 11 de fevereiro, data em que se celebra o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, o CRBio-04 conta a história da Érika e de sua irmã, a também bióloga Danielle Ramos de Alvarenga, cientistas que tiveram mulheres inspiradoras em suas trajetórias e que hoje ocupam espaços antes dominados por homens.

Apesar do laço familiar e de ambas terem se graduado na UFMG, Érika e Danielle sempre traçaram caminhos bem distintos dentro da profissão, a começar pela motivação de cursarem Ciências Biológicas. Aliás, segundo as palavras de Danielle, “quase desisti da Biologia por causa da Érika”. A caçula, que com oito anos foi assistir à banca de Mestrado da irmã mais velha, brinca que, ao ver a dedicação da irmã aos estudos, chegou a questionar se a Biologia era o caminho certo para ela, já que sempre buscou uma abordagem mais prática na área. A vocação para a área ambiental, porém, sempre se mostrou presente: Danielle lembra em detalhes de um trabalho de geografia na 6ª série em que a professora propôs um debate sobre poluição industrial. “No fim a professora saiu da escola e atividade não aconteceu, mas tudo que estudei e descobri sobre desenvolvimento sustentável mexeu muito comigo”, conta.

Já para Érika a Biologia só veio a ser uma opção viável no ensino médio. “Sempre me dei muito bem com exatas. Foi só no segundo ano que um professor me despertou a curiosidade para a área da pesquisa. Posteriormente, no terceiro ano, veio a parte da genética, que misturava a Biologia com a Matemática, e acabei me decidindo”.

Carreiras e inspirações

Se a escolha da profissão veio por meios distintos, a trajetória profissional seguiu a mesma linha. Érika fez mestrado em Biologia Celular, doutorado em Genética, pós-doc em Zootecnia e, desde 2010, atua como bióloga no Laboratório de Aquacultura da UFMG, onde estuda a reprodução de peixes, sistemas sustentáveis de produção de pescado e desenvolve, juntamente com outros pesquisadores, um programa de melhoramento genético de tilápias. Danielle, por sua vez, cursou Mestrado em Ecologia Aplicada e, atualmente, gerencia projetos de carbono focados em restauração de vegetação nativa em uma empresa de investimentos ligada ao agronegócio.

Mesmo com duas vivências tão distintas na Biologia, contudo, uma coisa as une: o papel primordial que outras mulheres tiveram em suas trajetórias. Além da professora Ana Cristina, mencionada no início dessa reportagem, Érika cita as professoras da UFMG Rosy Isaias, Claudia Jacobi e sua orientadora durante a graduação em Biologia, a profa. Elizete Rizzo. “Quando comecei a atuar com peixes, havia pouquíssimas mulheres nesse campo, por uma visão equivocada de que se exigia um vigor físico muito grande, e a Elizete era uma delas. Hoje, no laboratório que trabalho, as mulheres já são maioria”.

Na lista de Danielle a professora Rosy Isaias – que foi a docente homenageada na formatura das duas irmãs – também ocupa um lugar especial. “No laboratório dela aprendi a trabalhar com ciência básica, o que foi fundamental para a minha formação”, relata. Danielle ainda faz questão de mencionar outras cientistas que fizeram parte da sua trajetória, como Nina de Castro (UFMG), Paula Valdujo e Mariana Soares (WWF), Gláucia Drummond (Fundação Biodiversitas), Amanda Dias (Arcadis) e Ana Carolina Rezende (Azurit). Ao ponderar sobre a influência de outras mulheres em sua carreira, Danielle vai além do papel da inspiração: “Foram mulheres que me proporcionaram a maior parte das oportunidades que tive e me inseriram no mercado de trabalho”.

Novas gerações

E se as duas biólogas contaram com mulheres inspiradoras em suas trajetórias até aqui, que conselhos podem deixar para as novas gerações de pesquisadoras? “Percebo algo que sempre destaca os biólogos: a curiosidade nata. Quem alia isso ao conhecimento, à metodologia científica, tem grandes chances de sucesso”, afirma Danielle. “O conhecimento é algo que ninguém tira de você. Desenvolva seu trabalho sempre com ética e coerência e o reconhecimento virá”, complementa Érika, que deixa uma reflexão final: “A Biologia nos ensina que a diversidade é nossa maior riqueza”.

Por tudo isso, neste dia 11 de fevereiro, Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, reforçamos a importância da inclusão e da valorização das pesquisadoras nos diversos campos do conhecimento. Assim como na natureza, onde diferentes espécies desempenham papéis essenciais nos ecossistemas, a Ciência prospera quando há espaço para múltiplas vozes e perspectivas.

 

 

 

 

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