Conselho Regional de Biologia 4ª Região
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Biólogos brasileiros assinam artigo na Nature sobre diversidade funcional das florestas tropicais

A revista Nature, um dos periódicos mais prestigiados e influentes do mundo, publicou na última semana o artigo “Canopy functional trait variation across Earth’s tropical forests”, que oferece avanços na compreensão da variação funcional das florestas tropicais ao redor do mundo.  O estudo é assinado por um grupo com mais de cem pesquisadores de todo o planeta, incluindo diversos biólogos brasileiros. Da jurisdição do CRBio-04 participam os biólogos Mario Espírito-Santo (Departamento de Biologia Geral – Unimontes), Marcelo Fragomeni Simon (Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia), Rubens Manoel dos Santos (Laboratório de Fitogeografia e Ecologia Evolutiva – UFLA), Queila Souza Garcia (Departamento de Botânica – UFMG), Tereza Spósito (IBAM – Instituto Bem Ambiental) e Thiago Metzker (IBAM – Instituto Bem Ambiental e Grupo Myr Projetos Sustentáveis), que é ex-conselheiro e representa o CRBio-04 no Comitê Municipal sobre Mudanças Climáticas e Ecoeficiência da Prefeitura de Belo Horizonte.

 Sobre o estudo
De forma prática, o conceito de “functional trait variation” refere-se às diferenças nas características físicas, químicas e estruturais das árvores dentro de um ecossistema. Essas características funcionais determinam como as plantas crescem, absorvem nutrientes, armazenam carbono e respondem a mudanças ambientais.

No contexto do novo artigo publicado na Nature, foram analisadas diferentes características funcionais em mais de 1.800 parcelas de vegetação, cobrindo praticamente todas as florestas tropicais do mundo. Essa diversidade de características foi ainda correlacionada com fatores climáticos, topográficos e de solo, permitindo uma compreensão mais profunda sobre como as florestas tropicais operam local e globalmente, e como elas se adaptam às mudanças ambientais.

O estudo combinou dados de campo de mais de 1.800 parcelas florestais com imagens de satélite, informações sobre o solo e variáveis climáticas para mapear traços funcionais das árvores tropicais.

Os resultados indicam que as florestas tropicais das Américas, África e Ásia apresentam distribuições distintas no espaço funcional, o que afeta diretamente sua resiliência ecológica e capacidade de resposta às mudanças climáticas e ambientais. Ou seja, cada ambiente precisa de uma estratégia direcionada para garantir sua conservação, nem que seja pra diminuir o tamanho do impacto que a mudança do clima está causando nesses ambientes, antes memo de um colapso total.

Implicações para conservação e mudanças climáticas
O estudo também levanta uma questão crucial: as florestas tropicais são capazes de regular seu ciclo de carbono e resistir à perda de biodiversidade, ou as mudanças climáticas estão se intensificando a ponto de comprometer irreversivelmente esses ecossistemas? “A resposta a essa pergunta é essencial para definir estratégias e prioridades de conservação, dado que a integridade dessas florestas garante serviços ecossistêmicos fundamentais, como a regulação do carbono – um processo que ocorre de forma espontânea e gratuita, mas que pode ser severamente impactado caso essas florestas entrem em colapso”, pontua Thiago.

Rumo à COP30: o papel da ciência na agenda climática
Com o Brasil se preparando para sediar a COP30 em Belém, em que o Sistema CFBio/CRBios se fará presente, o estudo também reforça a importância de integrar a biodiversidade e a funcionalidade ecológica das florestas tropicais nas discussões sobre adaptação e mitigação climática. A Amazônia, sendo um dos principais focos das negociações, abriga a maior riqueza funcional entre as florestas tropicais, o que amplia sua importância na regulação do clima global. Os dados do estudo devem subsidiar políticas de conservação e mecanismos de financiamento climático, garantindo que as soluções baseadas na natureza sejam priorizadas na agenda internacional.

“Os achados deste estudo dialogam diretamente com os debates conduzidos pelo IPCC e pela UNFCCC, fornecendo evidências científicas essenciais para embasar decisões sobre o futuro das florestas tropicais no contexto da crise climática. A necessidade de modelos mais precisos sobre os impactos das mudanças climáticas na funcionalidade das florestas tropicais é um tema recorrente nos encontros internacionais, e este estudo contribui para reduzir incertezas e fortalecer o papel da ciência na formulação de políticas climáticas globais”, conclui Metzker.

Acesse o artigo completo na Nature clicando aqui.

 

Com informações da Comunicação do Grupo Myr

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