Conselho Regional de Biologia 4ª Região
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Biólogo do CRBio-04 faz primeiro registro de mexilhão-dourado no Tocantins

O mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei) é uma espécie invasora originária da Ásia, que chegou ao Brasil provavelmente na água de lastro de navios cargueiros, na década de 1990. Causador de prejuízos sociais, ecológicos e econômicos, o molusco se alastrou principalmente pela Bacia Platina, com presença em quase toda a região Sul e em vários pontos do Sudeste e Centro-Oeste.

Mexilhão-dourado registrado no rio Tocantins, em Palmas (TO)

Até o lançamento do Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Mexilhão-dourado no Brasil, em 2019, o Ibama considerava as bacias Amazônica e do Tocantins-Araguaia como áreas livres da espécie. De lá pra cá, contudo, esse cenário sofreu drásticas alterações. Já são inúmeros os registros do mexilhão-dourado na calha do rio Tocantins, do norte ao sul do Pará e, mais recentemente, a espécie foi identificado pela primeira vez no estado do Tocantins.

O registro foi do biólogo Rubens Tomio Honda (044782/04-D), pesquisador da Universidade Estadual do Tocantins. Em colaboração com o biólogo Igor Christo Miyahira (CRBio 065807/02-D), da Unirio, e o docente da Unicamp Fábio Dias Passos o achado foi publicado em uma nota científica na revista Check List, intitulada At the doors of the Amazonian region: occurrence of Limnoperna fortunei (Dunker, 1857) (Mollusca, Bivalvia, Mytilidae) in the Tocantins River.

Mapa das ocorrências do mexilhão-dourado no Brasil

Segundo o estudo, o mexilhão foi detectado em agosto de 2024, após produtores do Parque Aquícola Sucupira, no município de Palmas, relatarem a presença da espécie em tanques-rede para a criação de tilápias. Um dos agravantes dessa descoberta, segundo os pesquisadores, é o fato do rio Tocantins ser uma porta de entrada para o rio Amazonas. “[…] O estado [Tocantins] faz parte da Amazônia Legal, que possui o maior bioma do Brasil (Floresta Amazônica) com a maior biodiversidade, incluindo várias espécies de água doce. Existem 2.257 espécies de peixes descritas na Bacia Amazônica, das quais 1.248 são endêmicas, o que corresponde a 15% das espécies de peixes de água doce do mundo. […] A introdução de L. fortunei na bacia representa uma grande ameaça à biodiversidade de organismos aquáticos […]”.

O artigo completo pode ser lido aqui.

Para saber mais sobre a presença do mexilhão-dourado no Brasil, clique aqui.

 

Imagens extraídas do artigo

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