Audiência Pública realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais no dia 16 de junho debateu os riscos da invasão do mexilhão-dourado na bacia do Rio São Francisco em Minas Gerais. O CRBio-04 foi representado por seu presidente, Tales Heliodoro Viana, que participou da composição da mesa.

Tales cobrou que o Estado trate o assunto com mais empenho e seriedade, inclusive por meio de mecanismos legais. “Falamos de água aqui, mas estamos brincando com fogo. É preciso uma política de recursos hídricos e formas que obriguem, por exemplo, a ligação das residências à rede de tratamento de esgoto onde houver”, salientou.
O presidente também chamou a atenção para a importância da conscientização de pescadores amadores e profissionais. Isso porque o molusco, que se adere a praticamente qualquer substrato sólido, pode se incrustar em cascos de barcos e em tanques-rede usados na psicultura, contribuindo para sua disseminação.
Ao fim da audiência foi proposta a formação de um grupo de trabalho pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, juntamente com o Conselho Regional de Biologia e outros órgãos, como Ibama, IEF, Igam, Cemig, Copasa, Codevasf, Sociedade Mineira dos Engenheiros e Comitês de Bacias. O objetivo é unir ações e estudos sobre o assunto.
O mexilhão
Molusco originário da Ásia, o mexilhão-dourado é conhecido por causar sérios prejuízos à flora e à fauna e a empreendimentos de captação de água e geração de energia por sua capacidade de obstruir tubulações.
Uma das grandes preocupações manifestadas por participantes da audiência foi com a possibilidade de que o molusco chegue a regiões mais carentes do Estado e de condições mais precárias de vida ao longo do São Francisco, como o Norte de Minas, o que dificultaria ainda mais o seu controle, sobretudo diante da precariedade do saneamento básico.
Segundo a analista ambiental do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), Regina Márcia Pimenta de Mello, estudos já confirmaram a correlação entre a água de pior qualidade e a maior propensão à presença do molusco. O pesquisador do Centro de Bioengenharia de Espécies Invasoras de Hidrelétricas (Cbeih), Newton Barbosa, endossou a importância do saneamento ao informar que, uma vez vivendo fora de seu habitat original, o mexilhão-dourado impressiona pela velocidade incrível com que consegue filtrar a água suja ou de alto teor de matéria orgânica para se alimentar.
Mesmo concordando com o cenário preocupante, Fabiano Alcísio e Silva, também pesquisador do Cbeih, afirmou que Minas é Estado referência em pesquisas sobre o molusco, participando de fóruns internacionais e mantendo relações estreitas com grupos de pesquisas de países como Estados Unidos e Argentina.
Conforme alertaram vários participantes da audiência o risco de que o molusco invada o Estado pelo São Francisco ficou mais forte com a confirmação, em outubro do ano passado, da presença do mexilhão-dourado na Região Nordeste, na divisa entre Bahia e Pernambuco, no reservatório de Sobradinho e no canal de transposição do rio São Francisco.
Texto: Assessoria de Comunicação da ALMG
Foto: Ricardo Barbosa / ALMG


