
A genética está na base de toda a diversidade biológica, pois toda a biodiversidade originada durante a evolução está fundamentada na variação hereditária, a qual em grande parte corresponde também as estruturas, funções, comportamentos e demais propriedades dos seres vivos que o biólogo estuda. Cada vez mais a genética está presente nos estudos biológicos, pois qualquer fenômeno investigado pelas diferentes disciplinas das Ciências Biológicas reflete esta longa história da natureza, que ocorre neste planeta há 4 bilhões de anos.
A informação genética passada entre gerações também codifica moléculas e processos biológicos da biotecnologia moderna. O uso crescente de produtos biotecnológicos está promovendo uma revolução na qualidade de vida humana, trazendo inovações na agricultura, alimentação, medicina, transportes, indústria etc.
No entanto, a genômica e a biotecnologia nos mostraram que estamos apenas começando a compreender e utilizar esta grande riqueza, que há um enorme potencial a ser explorado por biólogos com diferentes especialidades, na ciência básica e aplicada, nas aplicações em conservação da natureza, nas técnicas forenses, nas indústrias de alimentos, medicamentos, bioderivados, combustíveis e uma infinidade de outras possibilidades já vislumbradas ou que devem surgir com o conhecimento mais aprofundado da produção dos fenótipos a partir do DNA.
Junto a esses avanços aparecem vários desafios para a sociedade, que tem de avaliar os limites da aplicação deste conhecimento, uma nova ética que pesa os prós e os contras, o valor da vida humana, da natureza e biodiversidade frente ao crescimento econômico, às mazelas de um mundo superpovoado e cada vez mais sujeito à escassez de recursos finitos e aos problemas de degradação ambiental. Isto é ainda mais desafiador para uma sociedade que parece estar cada vez mais distante da própria ciência, na qual ideias anticientíficas de negação do uso das vacinas, da iminência do aquecimento global e da própria Evolução, sem a qual não existe a ciência da biologia.
O biólogo do início do século XXI tem o papel essencial de trazer a biologia para a sociedade como a ciência que se solidificou na explicação do fenômeno da vida, desde os professores no ensino fundamental àqueles na academia, empresas e indústrias.
Fabrício R. Santos
Geneticista, professor titular da UFMG e membro da Academia Ibero-americana de Biologia Evolutiva
Acompanhe a Campanha também pelo nosso Facebook e Instagram.


