Junho Vermelho: mês de conscientização sobre a doação de sangue

Vinícius Bozzi

Doar sangue é um gesto de amor e solidariedade ao próximo. Visando conscientizar a sociedade, potencializar o número de doações e jogar luz sobre a importância desse ato, em 2015 o Ministério da Saúde instituiu a campanha “Junho Vermelho”.

A assessora de Captação e Cadastro da Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia do Estado de Minas Gerais (Hemominas), Viviane Guerra, conta que a Fundação coleta cerca de 21.500 bolsas de sangue mensalmente, e que o estoque precisa atender com segurança cinco dias do volume de demandas. No entanto, a assessora relata que devido às baixas temperaturas comumente registradas nesse período do ano, as doações acabam diminuindo e impactando o nível dos estoques e o atendimento: “enfrentamos uma criticidade nos estoques de sangue, principalmente, dos grupos negativos e do tipo O positivo. Em alguns casos, ele não é suficiente para três dias de atendimento. Atualmente, a queda de comparecimento em torno de 30% vem impactando diretamente nos estoques e no atendimento seguro às demandas transfusionais.” Diante disso, Viviane destaca a importância das doações de sangue, não só durante a campanha “Junho Vermelho”, mas em qualquer época do ano: “o sangue é um ‘remédio’ insubstituível, visto que ele não é fabricado nem vendido. Dependemos exclusivamente da solidariedade das pessoas, que comparecem aos hemocentros e realizam as doações. E é justamente esse espírito solidário que salva vidas.”

O Conselheiro Tesoureiro do CRBio-04 e doador regular de sangue, Bruce Amir, fala de suas motivações: “uma vez, vi uma campanha solicitando doadores de sangue. Resolvi tomar iniciativa de ir doar e achei importante manter uma certa regularidade, já que há a necessidade contínua de manter os estoques de sangue em bons níveis.” Falando com a experiência de um doador de sangue há vários anos, Bruce convida quem nunca doou a entrar para essa corrente do bem. “Todos os dias, diversas pessoas necessitam de uma doação de sangue e, algum dia, pode ser alguém próximo a você. Quem nunca doou, pode e deve fazer isso, pois ao contrário do que muitos pensam, doar sangue não é nada doloroso, é uma ação que traz um sentimento gratificante enorme”, finaliza.

Quais são os requisitos para doar sangue?

Podem doar sangue pessoas entre 16 e 69 anos e que estejam pesando mais de 50kg. Além disso, é preciso apresentar documento oficial com foto e menores de 18 anos só podem doar com consentimento formal dos responsáveis.

Pessoas com febre, gripe ou resfriado, diarreia recente, grávidas e mulheres no pós-parto não podem doar temporariamente.

– Estar alimentado. Evite alimentos gordurosos nas 3 horas que antecedem a doação de sangue.
– Caso seja após o almoço, aguardar 2 horas.
– Ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas.
– Pessoas com idade entre 60 e 69 anos só poderão doar sangue se já o tiverem feito antes dos 60 anos.
– A frequência máxima é de quatro doações de sangue anuais para o homem e de três doações de sangue anuais para a mulher.
– O intervalo mínimo entre uma doação de sangue e outra é de dois meses para os homens e de três meses para as mulheres.

Quais são os impedimentos temporários para doar sangue?

– Gripe, resfriado e febre: aguardar 7 dias após o desaparecimento dos sintomas;
– Período gestacional;
– Período pós-gravidez: 90 dias para parto normal e 180 dias para cesariana;
– Amamentação: até 12 meses após o parto;
– Ingestão de bebida alcoólica nas 12 horas que antecedem a doação;
– Tatuagem e/ou piercing nos últimos 12 meses (piercing em cavidade oral ou região genital impedem a doação);
– Extração dentária: 72 horas;
– Apendicite, hérnia, amigdalectomia, varizes: 3 meses;
– Colecistectomia, histerectomia, nefrectomia, redução de fraturas, politraumatismos sem sequelas graves, tireoidectomia, colectomia: 6 meses;
– Transfusão de sangue: 1 ano;
– Vacinação contra a Covid-19: Coronavac (48 horas); Pfizer, AstraZeneca ou Janssen (7 dias);
– Vacinação: o tempo de impedimento varia de acordo com o tipo de vacina;
– Exames/procedimentos com utilização de endoscópio nos últimos 6 meses;
– Ter sido exposto a situações de risco acrescido para infecções sexualmente transmissíveis (aguardar 12 meses após a exposição).

Quais são os impedimentos definitivos para doar sangue?

– Ter passado por um quadro de hepatite após os 11 anos de idade;
– Evidência clínica ou laboratorial das seguintes doenças transmissíveis pelo sangue:  Hepatites B e C, AIDS (vírus HIV), doenças associadas aos vírus HTLV I e II e Doença de Chagas;
– Uso de drogas ilícitas injetáveis;
– Malária.

Onde doar?

Minas Gerais
Procure uma das unidades da Hemominas. A doação pode ser agendada pelo aplicativo MGApp ou pelo site: www.hemominas.mg.gov.br.

Tocantins
Procure uma das unidades da Hemorrede em Palmas, Gurupi, Araguaína, Porto Nacional e Augustinópolis. As doações podem ser agendadas pelos telefones: (63) 3218-3232 ou 0800 642 8822.

Goiás
Procure uma das unidades do HEMOGO. A doação pode ser agendada pelo site: http://agenda.hemocentro.org.br. Em Goiânia há, também, o banco de sangue do INGOH. Informações pelo (62) 3226-0200.

Distrito Federal
Procure a Fundação Hemocentro de Brasília. A doação pode ser agendada pelo site agenda.df.gov.br ou pelo telefone 0800 644 0160.


Atuação do Biólogo em Análises, Processos e Pesquisas em Banco de Sangue e Hemoderivados

Entre as 88 áreas de atuação do biólogo estabelecidas pela Resolução CFBio nº 277/2010 está a área de Análises, Processos e Pesquisas em Banco de Sangue e Hemoderivados.

Bárbara Maciel, bióloga e Analista de Laboratórios da Fundação Hemocentro de Brasília desde 2017,  destaca que este era um ramo dominado por profissionais de outras áreas, mas que nos últimos anos essa relação tem mudado. “Este é um campo bastante fértil e o biólogo possui a capacitação técnica necessária para ocupar espaços em bancos de sangue”, afirma. Bárbara ainda detalha a atuação desses profissionais na instituição: “no Hemocentro, os profissionais biólogos atuam nos laboratórios, em exames da gestão de sangue, coletando amostras. Há também a atuação em laboratórios que produzem exames para pacientes, além do trabalho no processamento das bolsas de sangue e na gestão da qualidade e padronização dos processos.” Ela ainda acredita que o biólogo possui um diferencial para atuar nessa área pela vivência em biologia molecular, por ser um ramo muito presente na Biologia.

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