Se o alerta feito pela Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior (Capes) for concretizado, ao menos 93 mil bolsas de pesquisadores e pós-graduandos e outras 105 mil de profissionais da educação poderão ser cortadas a partir de agosto de 2019. Segundo documento assinado no último dia 02/08 por Abilio Batea Neves, presidente da Capes, o teto limitando o orçamento de 2019 fixa um patamar muito inferior ao necessário para manter as linhas de atuação da Capes.
A medida põe em risco a produção científico-acadêmica brasileira, que apesar do alto potencial internacionalmente reconhecido, passa por um cenário de desvalorização desde 2015. De acordo com o levantamento da campanha ‘Conhecimentos Sem Cortes’, cerca de R$16 bilhões foram retirados do orçamento das universidades públicas. Na Capes, foram investidos R$7,7 bilhões em 2015, contra R$3,94 bilhões em 2018. Entre as principais bolsas oferecidas pela Capes estão as de graduação (R$ 830), mestrado (R$ 1,5 mil) e doutorado (R$ 2,2 mil).
Em reunião realizada, o Plenário do Conselho Regional de Biologia da 4ª Região (CRBio-04) votou por publicitar nota oficial em apoio ao alerta realizado pela CAPES, uma vez que os trabalhos de pesquisa são consideradas de importância estratégica inquestionável, além de estarem previstas essas atividades em inúmeras normativas legais do exercício da profissão do Biólogo.
O CRBio-04 entende que o desenvolvimento de pesquisas no Brasil depende diretamente e indissociavelmente dos trabalhos dos bolsistas. Caso os cortes sejam efetivados, haverá um retrocesso no cenário atual dos trabalhos incentivando ainda mais o êxodo de pesquisadores brasileiros e consequente paralização de importantes trabalhos em andamento.
Recursos públicos para produção científica não é custo, e sim investimento prioritário para uma transformação social do país frente ao cenário mundial.


