Conselho Regional de Biologia 4ª Região
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Pesquisa de bióloga atesta custo-efetividade de RT-PCR na rede pública do DF

Por Felipe Morais

“Quem elogia o SUS é porque nunca precisou dele”. Você certamente já ouviu essa frase, que alega uma suposta superioridade na qualidade dos serviços privados de saúde. Pois uma pesquisa conduzida pela bióloga Farah Camila Murtadha e premiada no V Congresso de Biomedicina do Centro-Oeste e I Congresso Brasiliense de Ciências Biomédicas comprova um grande furo nessa teoria. Intitulado “Custo-Efetividade da RT-PCR para Painel Respiratório: Análise Comparativa no Distrito Federal”, o estudo avaliou a eficiência, agilidade e custo do diagnóstico molecular feito pela rede pública em comparação com a rede privada do DF.

O resultado? O trabalho evidenciou que o Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal realiza o RT-PCR para um painel abrangente de vírus respiratórios — como Covid-19, Influenza A e B, Vírus Sincicial Respiratório (VSR), Rinovírus Humano (HRV) e Adenovírus — A análise apontou um custo médio de R$ 81,14 por exame, considerando apenas os custos diretos de extração e amplificação do material genético, sem incluir despesas com pessoal, infraestrutura ou outros insumos laboratoriais. Ainda assim, esse valor é significativamente inferior aos praticados na rede privada, onde o mesmo exame pode ultrapassar R$ 1.500,00. Além disso, o tempo de liberação dos laudos no laboratório público é inferior a 24 horas, o que contribui diretamente para o manejo clínico, liberação de leitos de UTI e definição de condutas terapêuticas.

Segundo Farah, que desenvolveu a pesquisa no âmbito do Programa de Residência Multiprofissional em Vigilância em Saúde da Fiocruz Brasília, a principal motivação foi valorizar o Sistema Único de Saúde (SUS) com base em evidências. “Queríamos mostrar que o sistema público é, sim, competitivo em relação ao privado — e, muitas vezes, mais eficiente”, afirma.

Crédito/foto: Feceps

Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade de Brasília e com mestrado em Bioquímica, Farah viu no programa da Fiocruz uma oportunidade de aplicar seus conhecimentos na prática e de retomar o envolvimento com a pesquisa científica. Atualmente no primeiro ano da residência, ela já se prepara para vivenciar outros cenários da saúde pública, mas carrega a certeza de que deseja seguir atuando na área de vigilância. “Descobri recentemente que os biólogos podem atuar nesse campo, e isso abriu um novo horizonte para mim. Quero continuar contribuindo com políticas públicas, com diagnóstico e com ciência aplicada.”

Além de Farah, assinam o trabalho premiado no Congresso de Biomedicina – e que em breve será publicado – Edejan Heise de Paula, Tânia Portella Costa, Fernanda Geórgia Yamada, Fabiano José Queiroz Costa e Grasiela Araújo da Silva.

 

O Lacen-DF

O Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (LACEN-DF) é o laboratório de referência vinculado à Secretaria de Estado da Saúde do Distrito Federal. São cerca de 280 análises, contemplando as áreas de biologia médica, medicamentos, toxicologia e controle de qualidade em produtos e ambientes.

As amostras processadas pelo Lacen são provenientes de toda a rede pública de saúde do DF, incluindo hospitais regionais, UBSs, UPAs, o Hospital de Base, o Hospital da Criança e unidades privadas participantes de programas de vigilância. A ampla cobertura e o diagnóstico rápido tornam o Lacen peça-chave na vigilância de síndromes gripais e respiratórias agudas.

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